segunda-feira, novembro 07, 2022

sentires...


 

sentires!



acordas junto à sombra dos sentires

perdido no movimento azebre,

fulguras da tristura ocasional

de um tempo passado

sem prazer.



suave na sua mudez,

a terra olha-te em silêncio.



escutas a voz do perigo

entre o bem e o mal,

consegue pousar

do lado da luz

no frio que te dá ordens



do coração saltam feridas

devoradas pelo infinito



já nada sentes

embriagado na música inaudível,

expeles do teu corpo uma seiva amarga,

e imploras para renascer

de um ventre sem rosto




aguardas na praia que a maré vaze,

encontro-te...




dou-te a minha mão!



helena maltez

quarta-feira, novembro 02, 2022

melodia

 

melodia



soletrei as palavras

uma a uma

caminhei sobre elas

sem pressão

entre uma melodia perfeita

do som da minha rua

gravo os reflexos

escuto o eco

inesperado

o relógio canta

a voz é frágil

mas sem medos.

num olhar a miragem

espelhada no perfeito oásis

tacteio palavras

ocultas na penumbra de uma quimera

invento perfis numa tela

e no silêncio de uma praia

sai de mim o sonho florido

as asas das gaivotas fascinam-me

dançam Mozart num palco invisível

              

      

helena maltez 


domingo, outubro 30, 2022

bebi o frio

 

bebi o frio

hoje o dia não teve o sabor de outono/inverno
o sol foi de inverno.
para me aquecer por dentro
deambulei pelas avenidas,
em busca de uma voz,
a tua.
continha frio na alma.


tinha sede de ti.
queria saciar aquela secura,
com a tua voz.
a secura me cortava a faringe,
bebe-la até ficar farta.



rasguei a visão
e sem folgo
emaranhei-me nas linhas do dia.
os gestos moldavam a solidão,
toquei a tua ausência
e o folgo foi desejo da tua ternura.



perdi a idade, os meus 18 anos
arrefeceram, resvalaram no teu corpo
só existe o murmúrio de um amar
em palavras guardadas por mim



já tudo me falta
até o ombro infindável das ilusões



e a saudade existe por termos estado juntos.



helena maltez


sábado, outubro 29, 2022

vida


 


vida



o dia chegou puro.

os olhares falavam num silêncio

onde as palavras tinham todas um nome

e a eternidade se fechava sobre um corpo

parado nas águas, entre os espaços

para assistirem ao nascimento das árvores

o grito do verão ressoava entre formas mudas,

delicadas, impregnadas de delírios imaginários.

alguém parte o silêncio e o transforma

em sons vergados, sensíveis às palavras vivas,

atrás fica uma vida, remexida desalmadamente

numa leveza, estrangulada entre dedos

olhares bailam enfeitiçados sobre as áscuas…

murmuram ao longe, frases ríspidas e frias

o vento arrasta soprando as vozes em pedaços,

agarrando a vida, que deseja invencível

lento, leve e moroso deixa respirar o dia.

mergulha na alegria suplicante da voz

onde ardem, na alma, chamas de desejo

assumido num jogo de amor único

escapa-se o pensamento, afunda-se

dentro da paixão voraz,

espelhada no sorriso dum peito aberto

o fio liga a veia, no abraço da morte

triunfante, a festa tornou-se imortal,

sufoca de júbilo,

entre palavras que passam a correr

o momento, amadurece na terra

cativo do nome que persegue…

helena maltez

 

terça-feira, outubro 25, 2022

abrigada em ti...


 

a rocha vestida de algas

serve de repouso,

e ali te contemplo meu mar.

vejo-te numa vastidão sem limites

enquanto me salpicas os pés descalços

parecendo carícias amistosas.

na tua cor azul dourado e transparente

procuro decifrar um nome oculto

como se ele pudesse chegar até mim,


junto de ti, místico mar,

deixo-me prender pelas gaivotas

enquanto dançam misteriosas,

e espero a voz,  companheira

de um tempo,  sem tempo.


mar, conheces bem o segredo

a dor que agora existe

onde outrora testemunhaste alegria.


escuta as minhas palavras,

sente a solidão que há em mim..


a voz é dorida, carrega suplicas,

o caminho arrasta o silêncio que fala

conto os minutos na ausência inesgotável

e o sonho tem a forma de um rosto.


sem guarida abrigo-me dentro dele

como a sede de uma miragem!




helena maltez


segunda-feira, outubro 24, 2022

silêncio de um caminho


 

o silêncio de um caminho

     

um trocar de palavras em silêncio
um sentir sem olhar...

    

a tua pele sabe a sal

descanso repousada no teu corpo

bebo da tua boca

e estreitavam os nossos lábios

           

quero os teus braços nos meus

e sinto as sombras de árvores e flores

     

afinal és terra na paisagem que descanso,

de mim já nada quero

só um tempo a andar comigo,

sem abrigo escondo-me da ocasião

     

o corpo já não espera por ti

não conhece e não vê nada


fica a luz do teu caminho... a saudade que em mim existe!


     

helena maltez

a colheita da hora


 

a colheita da hora

                      

             

à beira dos degraus

equilíbrio nomes,

aromas, datas vestidas

marcas leves

estruturas cimentadas.

                                

              

o café da manhã

foi imagem distorcida,

emoção suspensa,

ideias místicas.

                             

                

encostado à parede

és gesto de silêncio,

na sombra de tantos invernos

rosto frio de um janeiro denso

cruzado no mar de todas as horas

onde desprendo o olhar.

                        

          

importante é beber e respirar

até ao fim da confluência da mistura dos azuis

entre tantos céus onde as nuvens partem sons

e engolem o pó que escrevo

na distância do limite do tempo

                            

                 

caí à terra a semente e no tempo

o fruto será colheita…

               

                    

helena maltez

terça-feira, junho 05, 2018


mudanças!

na minha pele a tua voz,
escuto-a nas ruas vazias,
de cada noite perdida.

rasgo os sentires,
e transponho todas as pontes,
as pontes, que nos afastaram.

nos nossos silêncios, habitam candeeiros
na candência do tempo, morre a luz.
associasse o verbo ao desejo
dentro de gestos vulneráveis .

ajustado à divisória da mudança
surge um palco suave que perpétua o instante…

helena maltez

sábado, junho 02, 2018


           
suave o passado
as horas cantam na escuridão
e o passado feito de condições
parte o dia em etapas dissipadas
é serena a alma, no frio da noite
o corpo é lembrança gélida
sobrevive à ideia dos amantes
num basta à razão.
                 
           
helena maltez

quarta-feira, maio 23, 2018


há...

há traços no rosto
traços de pensamentos,
abarcados à saudade.

há um olhar baço
de um quadro com tons verdejantes,
reste-as de tempos passados.

há vozes que se perderam,
um verbo por conjugar,
no cansaço que quem amou e chorou.

há abraços desabitados,
lamentos diluídos…
no âmago da existência.

há o canto num peito naufragado
em caminhos divergentes…

helena maltez

segunda-feira, abril 23, 2018

ausência...






não sou ausência de ninguém, nem de mim, sou presença andante por entre cada um, em cada promessa sem ensaios
na saudade que me abraça muitas vezes sigo a sombra da penumbra e deixo-me deslumbrar com os pensamentos que se libertam
as noites são selvagens e mágicas, o cansaço é o rigor dos lamentos, são fugas de lágrimas calmas que regam o dia em gestos.
sigo os perfumes que me encantam e embalam, enrolo-me nas cores onde sei que existes entre ruínas pessimistas que deixaram marcas sofredoras
não, não sou ausência, escuto-te na coragem da minha presença.





helena maltez

terça-feira, abril 17, 2018

a colheita da hora



                
à beira dos degraus
equilíbrio nomes,
aromas, datas vestidas
marcas leves
estruturas cimentadas.
            
o café da manhã
foi imagem distorcida,
emoção suspensa,
ideias místicas.
               
encostado à parede
és gesto de silêncio,
na sombra de tantos invernos
rosto frio de um janeiro denso
cruzado no mar de todas as horas
onde desprendo o olhar.
                   
importante é beber e respirar
até ao fim da confluência da mistura dos azuis
                   
                        
porque há um mundo de saudades
porque existimos
porque as distâncias são tantas
porque não somos ausência
porque as horas que soam são nossas
porque há sombras
porque somes abrigo
porque...

                
há um gostar sem nó!
porque digo:
                                      
    
que te quero todos os dia
                     
             
helena maltez

quinta-feira, abril 12, 2018

sabor limitada


tuas mãos nas minhas
o dia começa radioso,
veio com os sonhos de um ontem,
sonhos desejados e concretizados.
                  
            
foi entrega delineada, na noite que crescia
a felicidade despertou,
envolvida em loucura
e encheu o impossível,
num leito emoldurado.
                      
               
a vontade enlouqueceu a história,
foi um descobrir, sem asas
sem amarras
com a realidade onde a saudade tinha um verbo.
                             
                     
mas a noite fugiu, ficou o sabor limitado...
                     
              
                
helena maltez.
          
       

terça-feira, abril 10, 2018

um hoje...

hoje
                   
                   
             
hoje a chuva foi manta do dia.
escondeu o sol
e em cada janela tocou uma melodia ritmada,
as árvores foram abrigo da passarada
e eu embalava o dia sem luz..


cresciam imagens silenciosas.
encobrias as imagens com os teus gestos,
enquanto recordava as tuas palavras
enroladas às minhas.


o vento corria incerto,
levava nas costas as folhas caídas
não deixava ouvir as vozes
e turvava as visões.


ficaram os nossos sonhos com nomes



helena maltez

domingo, abril 08, 2018

sonhar...


sonho contigo no intervalo de todos os silêncios…
adormeço num lado solitário da noite
há lágrimas no caminho, onde a noite cresce…

no mistério dos sonhos
é a tua voz que escuto,
no mar que nos separa.

o luar dança taciturno na esperança…

helena maltez

momentos nossos


sem sol e com chuva é assim que o tempo se encontra por aqui

mas precisava de um dia delicioso:
à beira mar com o primeiro café da manhã.
acompanhado da amizade,
felicidade,
ternura,
um pouco de carinho,
alegria
e muito amor
tudo bem misturado, para partilhar contigo...

helena maltez

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...